Yuri Silva Portela

Aprenda a proteger sua família: Como a educação pode barrar golpes digitais contra idosos, na visão de Yuri Silva Portela

Nami Takasori
Por Nami Takasori 5 Min de leitura

O avanço dos serviços digitais trouxe mais praticidade para a rotina, mas também criou novas formas de violência financeira e patrimonial contra pessoas idosas. Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, acompanha uma realidade em que saber utilizar um celular ou aplicativo já não significa, necessariamente, saber reconhecer uma tentativa de fraude. 

Leia mais a seguir!

Por que os golpes digitais exigem atenção?

Os criminosos não dependem mais apenas de abordagens claramente suspeitas. Mensagens que simulam comunicações de bancos, ligações sobre supostos problemas em contas, pedidos de dinheiro feitos por pessoas que se passam por familiares e falsas oportunidades financeiras podem parecer legítimas quando chegam ao celular. A aparência de normalidade pode dificultar a identificação do golpe, principalmente quando a mensagem cria sensação de urgência ou preocupação.

A dificuldade aumenta quando a pessoa não conhece suficientemente os recursos que utiliza. Um usuário pode saber enviar mensagens, fazer chamadas ou acessar o aplicativo bancário, mas não reconhecer sinais como links suspeitos, pedidos de códigos de segurança ou solicitações inesperadas de transferência. Conhecer essas situações ajuda a interromper uma ação impulsiva e buscar confirmação antes de fornecer informações ou realizar qualquer operação.

Nesse prospecto, como ressalta o Doutor Yuri Silva Portela, a vulnerabilidade não está simplesmente em ter mais idade. Ela também pode estar relacionada ao nível de familiaridade com o ambiente digital e à capacidade de avaliar criticamente uma informação recebida. A educação tecnológica atua justamente nesse espaço. Aprender a reconhecer comportamentos suspeitos pode transformar o uso cotidiano da tecnologia em uma prática mais consciente e segura.

O que significa aprender a usar a tecnologia com segurança?

A educação digital não deve significar apenas ensinar alguém a abrir um aplicativo ou realizar uma transferência. É preciso mostrar como identificar situações que exigem desconfiança e quais atitudes devem ser tomadas antes de fornecer informações ou realizar pagamentos. Esse aprendizado pode ajudar o usuário a tomar decisões com mais cautela diante de abordagens inesperadas.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Uma pessoa pode aprender, por exemplo, que senhas e códigos de autenticação não devem ser compartilhados, que pedidos urgentes de dinheiro precisam ser confirmados por outro meio e que mensagens recebidas de números desconhecidos não devem ser consideradas verdadeiras apenas porque utilizam o nome ou a fotografia de alguém conhecido. Também é importante entender que instituições financeiras e outros serviços possuem canais oficiais para confirmar solicitações e esclarecer dúvidas.

O Doutor Yuri Silva Portela observa esse desafio a partir da geriatria, em uma realidade na qual a autonomia também envolve capacidade de lidar com situações do cotidiano. Saber utilizar a tecnologia com mais segurança pode ajudar o idoso a manter independência sem precisar entregar a outras pessoas o controle de suas atividades digitais. Quanto maior a confiança para reconhecer riscos e buscar confirmação, menor tende a ser a necessidade de depender de terceiros para tarefas digitais simples.

Por que a educação precisa ser prática?

Cartilhas e alertas são úteis, mas nem sempre conseguem preparar alguém para uma situação concreta. O aprendizado tende a ser mais efetivo quando parte de exemplos próximos da realidade, mostrando como uma fraude pode acontecer e qual seria a reação mais segura diante dela. A prática permite que a pessoa reconheça padrões de comportamento suspeito com mais facilidade quando encontrar uma situação semelhante.

Uma oficina pode apresentar uma mensagem falsa e discutir seus sinais de alerta. Uma conversa com familiares pode estabelecer procedimentos para confirmar pedidos inesperados de dinheiro. O treinamento também pode ensinar como bloquear contatos, revisar configurações de privacidade e procurar canais oficiais quando houver dúvida. Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, essas orientações podem ser incorporadas à rotina e ajudar o idoso a agir com mais segurança diante de diferentes tipos de abordagem digital.

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