Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira

Privacidade e proteção de dados: desafios tecnológicos para empresas digitalizadas

Nami Takasori
Por Nami Takasori 5 Min de leitura

Empresas nunca coletaram tantos dados de clientes quanto coletam hoje, e nunca enfrentaram tanta pressão para justificar o que fazem com eles. De um lado, produto e marketing querem informação para personalizar experiências. Do outro, regulação, usuários e imprensa cobram transparência sobre onde esses dados vão parar.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO, indica que essa tensão não vai desaparecer com uma ferramenta nova ou uma política de privacidade mais bem escrita. Ela exige repensar como o dado é coletado, tratado e descartado em cada etapa do produto digital, não apenas documentar o que já é feito hoje.

Por que privacidade virou tema de negócio, não só de compliance?

Tratar privacidade como assunto exclusivo do jurídico é um erro que aparece cedo demais no ciclo do produto: quando o time de compliance é chamado só no fim, para revisar algo que já foi construído, o custo de corrigir qualquer falha é muito maior do que teria sido no desenho inicial, e às vezes a única correção viável é refazer o recurso do zero.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, destaca que empresas mais maduras nesse tema envolvem privacidade desde a concepção de qualquer novo recurso, definindo que dado realmente precisa ser coletado antes de decidir como ele será armazenado. A inversão dessa ordem parece pequena, mas evita boa parte dos problemas que só aparecem depois que o produto já está em produção.

A pressão regulatória que cresce junto com o volume de dados

A cada nova onda de digitalização, o volume de dado pessoal circulando dentro das empresas cresce, e a regulação tenta acompanhar esse ritmo, o que significa mais exigência sobre rastreabilidade, mais cobrança para comprovar como o consentimento foi obtido e mais atenção sobre como esses dados atravessam fronteiras entre diferentes provedores de nuvem espalhados por vários países.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, especialista em tecnologia, software e inteligência artificial, observa que o risco real não está apenas na multa, embora ela exista e seja alta. Está na paralisação: uma autoridade reguladora pode suspender o tratamento de determinado dado até que a empresa comprove conformidade, e isso pode travar uma operação inteira de uma hora para outra.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira

IA aumenta o risco: dados usados por máquinas exigem outra proteção

Os sistemas de inteligência artificial mudaram a equação da privacidade porque não apenas armazenam dados, mas também aprendem com eles. Um modelo treinado sobre informação pessoal pode reproduzir padrões dessa informação de formas difíceis de rastrear depois, o que complica qualquer pedido de exclusão feito por um usuário meses após o treinamento ter acontecido.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, avalia que isso obriga empresas a repensar governança de dados, considerando não só quem acessa a informação, mas também quais sistemas automatizados a consomem e para que finalidade. Ignorar essa camada extra de risco é deixar uma porta aberta que nenhuma política de privacidade escrita em linguagem jurídica consegue fechar sozinha.

Empresas que tratam privacidade como vantagem, não como custo

O discurso mais comum ainda trata privacidade como obrigação a ser cumprida pelo menor custo possível. Só que empresas que investem além do mínimo exigido têm encontrado nisso um diferencial real: coletar menos dados e ser claro sobre o que se faz com o que é coletado virou argumento de venda em setores onde a confiança pesa tanto quanto o preço.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira comenta que essa mudança de postura exige investimento contínuo, não um projeto pontual de adequação. As empresas que sustentam esse cuidado no longo prazo acumulam algo que regulação nenhuma obriga diretamente: a confiança de quem decide, todos os dias, continuar compartilhando seus dados com elas.

Compartilhe este artigo
Deixe um comentário

Deixe um comentário