De acordo com Alexandre Costa Pedrosa, o processo de marketing orientado a dados ganhou velocidade porque permite entender preferências, reduzir desperdícios e personalizar ofertas com mais precisão. Ao mesmo tempo, quanto maior for a capacidade de coletar e cruzar informações, maior a responsabilidade sobre o uso desses dados, especialmente sob a lógica da LGPD. O desafio prático aparece quando a busca por performance se aproxima de práticas invasivas, capazes de corroer confiança.
Dados pessoais, finalidade e o custo invisível do excesso de coleta
Alexandre Costa Pedrosa nota que a pergunta central não é apenas “quais dados coletar”, mas “para qual finalidade concreta” e “por quanto tempo” eles precisam existir dentro do processo. Coletar por conveniência, sem critério, aumenta risco operacional e gera fricção com o público, que percebe a experiência como vigilância disfarçada de personalização. Nesse cenário, o ganho de curto prazo pode custar reputação.
Por outro lado, reduzir a coleta ao essencial tende a melhorar qualidade do dado e clareza de gestão. Quando a empresa sabe por que precisa de cada informação, consegue desenhar jornadas mais simples, comunicar melhor ao usuário e evitar acúmulos desnecessários. Assim, privacidade deixa de ser barreira e vira um parâmetro de eficiência, porque impede complexidade inútil.
Bases legais, consentimento e legítimo interesse com critérios
Conforme analisado por Alexandre Costa Pedrosa, bases legais não são um detalhe jurídico isolado, mas um elemento que orienta decisões cotidianas de produto e comunicação. Consentimento, por exemplo, pede transparência e facilidade de revogação, enquanto o legítimo interesse exige ponderação real entre objetivos do negócio e impactos sobre o titular. Quando esse raciocínio é tratado como burocracia, a prática escorrega para formulários longos e pouco compreensíveis.
Nesse sentido, a construção de processos internos claros facilita escolhas consistentes. Definir quais dados entram em cada campanha, qual canal pode ativá-los e qual equipe responde por incidentes reduz improviso. Sendo assim, a base legal passa a ser um filtro de planejamento, e não uma etapa final de “ajuste”, o que diminui risco e melhora previsibilidade.

Segmentação, personalização e o equilíbrio entre relevância e invasão
Alexandre Costa Pedrosa evidencia que segmentar não significa conhecer tudo sobre alguém, mas reconhecer padrões úteis sem ultrapassar limites de conforto. Personalização bem feita resolve problemas e economiza tempo do usuário, enquanto personalização agressiva expõe detalhes que o próprio público não lembrava ter fornecido. Quando a mensagem dá a sensação de intimidade indevida, a reação tende a ser desconfiança, mesmo que a campanha esteja tecnicamente correta.
A partir disso, um critério simples é testar a experiência com a pergunta: o anúncio parece “útil” ou parece “intrusivo”. Por conseguinte, equipes podem revisar frequência, nível de detalhe e contexto de exibição para evitar a sensação de perseguição digital. Essa calibragem melhora a performance de longo prazo, porque preserva a disposição do público em interagir e compartilhar dados quando existe valor real.
Governança e transparência como vantagem competitiva
Alexandre Costa Pedrosa esclarece que governança de dados não é apenas compliance, mas um modo de sustentar confiança. Mapear fluxos, limitar acessos, documentar decisões e monitorar terceiros reduz pontos cegos no processo. Ainda assim, governança só se completa quando há comunicação compreensível para o usuário, com linguagem direta sobre o que é coletado e por qual motivo.
Por fim, a transparência bem aplicada pode diferenciar marcas em mercados saturados. Quando a empresa mostra escolhas responsáveis, responde com agilidade e respeita preferências, cria uma relação mais estável com o público, que tende a aceitar melhor o marketing orientado a dados. Nesse caminho, a LGPD deixa de ser um freio e passa a funcionar como estrutura para campanhas mais consistentes e confiáveis.
Autor: Diego Velázquez