Paulo Roberto Gomes Fernandes

Descomissionamento de dutos antigos: Quando encerrar uma linha vira projeto de engenharia de alta complexidade?

Diego Velázquez
By Diego Velázquez 5 Min Read

Paulo Roberto Gomes Fernandes, fundador e presidente da Liderroll, observa que o descomissionamento de dutos que atingiram o fim de sua vida útil ou que foram substituídos por novas linhas está emergindo como uma área de engenharia com crescente relevância técnica e regulatória. Durante décadas, a prioridade da indústria foi a construção e a operação de novos dutos, relegando o encerramento das instalações antigas a um segundo plano. 

Contudo, à medida que uma parcela crescente da infraestrutura dutoviária mundial atinge ou supera os quarenta anos de operação, o descomissionamento deixou de ser uma eventualidade e tornou-se uma demanda concreta para operadoras, reguladores e comunidades nas proximidades das instalações.

Leia até o final para descobrir mais sobre a temática!

As opções técnicas de descomissionamento e seus condicionantes

As principais opções técnicas para o descomissionamento de dutos incluem a remoção física completa da linha, o abandono no local com limpeza e preenchimento interno, e a conversão para uso alternativo. A escolha entre essas alternativas depende de fatores como a profundidade de instalação, a sensibilidade ambiental da região atravessada, a presença de contaminantes no produto histórico transportado e as exigências regulatórias aplicáveis em cada jurisdição. Ainda assim, a remoção completa é frequentemente a opção de maior custo e de maior impacto ambiental imediato, especialmente em dutos de grande extensão instalados abaixo de rios, estradas e áreas de preservação.

Paulo Roberto Gomes Fernandes indica que o abandono no local com preenchimento adequado, quando tecnicamente viável e ambientalmente aceitável, representa uma alternativa que equilibra custo e gestão de risco de longo prazo. A injeção de grout cimentício ou de espuma de poliuretano no interior do duto elimina o risco de colapso da estrutura vazia e impede a migração de contaminantes residuais para o solo envolvente.

Paulo Roberto Gomes Fernandes
Paulo Roberto Gomes Fernandes

Avaliação de contaminação e gestão de passivos ambientais

Dutos que transportaram hidrocarbonetos por décadas podem ter acumulado depósitos internos de parafinas, compostos de enxofre e sedimentos contaminados que precisam ser gerenciados como resíduos perigosos durante o processo de descomissionamento. Paulo Roberto Gomes Fernandes pondera que a caracterização química completa do interior da linha, realizada por amostragem em pontos representativos antes do início das atividades de descomissionamento, é o ponto de partida para o dimensionamento dos sistemas de tratamento e descarte necessários. Desse modo, operadoras que ignoram essa etapa frequentemente descobrem, já durante a execução, passivos ambientais que elevam substancialmente o custo e o prazo do descomissionamento.

Paulo Roberto Gomes Fernandes explicita que a identificação de vazamentos históricos ao longo do traçado, que podem ter contaminado o solo e o lençol freático nas proximidades do duto, é outra dimensão do passivo ambiental que precisa ser avaliada antes de qualquer decisão sobre a estratégia de descomissionamento. A negligência nessa avaliação expõe as operadoras a responsabilidades legais que podem se estender muito além do encerramento formal das atividades.

Conversão de dutos para novos usos como alternativa ao descomissionamento

A conversão de dutos existentes para o transporte de novos fluidos, incluindo água, biometano ou misturas com hidrogênio, é uma alternativa que pode preservar o valor da infraestrutura instalada ao mesmo tempo em que elimina os custos e os impactos do descomissionamento convencional. A viabilidade dessa conversão depende da integridade estrutural remanescente da linha, da compatibilidade dos materiais existentes com o novo fluido e dos custos de adaptação dos equipamentos de estação. 

Por fim, Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que a avaliação técnica e econômica da conversão deve ser conduzida como parte integrante do processo de decisão sobre o destino de dutos que atingem o fim de sua vida útil original, antes que a opção de reaproveitamento seja descartada por falta de análise adequada. A Liderroll, com sua experiência em projetos de alta complexidade e em tecnologias de suportação e movimentação de dutos, está posicionada para contribuir tecnicamente nessa nova fronteira da engenharia de infraestrutura energética.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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