O Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, acompanha um período em que decisões tomadas em 2026 podem produzir efeitos muito além do calendário atual. A implementação gradual da Reforma Tributária, novas regras para o uso de inteligência artificial no Judiciário e mudanças na interpretação de obrigações jurídicas estão criando um ambiente no qual empresas precisam avaliar não apenas o que já mudou, mas também quais decisões de hoje podem alterar custos, contratos e estratégias nos próximos anos.
Leia mais a seguir!
Por que 2026 pode ser um ano decisivo?
A principal característica do atual cenário é a transição. Algumas mudanças já começaram a produzir efeitos, enquanto outras terão consequências ampliadas nos próximos anos. A Reforma Tributária é um dos exemplos mais claros: 2026 funciona como uma etapa inicial de adaptação, mas a substituição gradual de tributos e a consolidação do novo modelo continuarão até 2033.
Essa transição exige que empresas tomem decisões antes de conhecerem todos os efeitos futuros do sistema. Revisar contratos, avaliar fornecedores, adaptar sistemas e reexaminar modelos de formação de preços são escolhas que podem influenciar a capacidade de adaptação durante os próximos anos. Além de reduzir a necessidade de mudanças emergenciais, esse cuidado permite identificar cláusulas, processos e relações comerciais que podem se tornar menos adequados diante das novas regras.
Para o Doutor Gilmar Stelo, o ponto central está justamente na antecipação. Uma decisão empresarial tomada agora pode parecer operacional, mas produz consequências jurídicas e financeiras quando uma nova etapa regulatória entrar em vigor. Por isso, avaliar os possíveis desdobramentos antes de consolidar uma escolha pode ajudar a empresa a preservar margem de negociação e evitar que ajustes futuros ocorram sob pressão de prazos ou de novas exigências.
A Reforma Tributária pode mudar decisões comerciais?
A Reforma Tributária não envolve apenas a substituição de tributos. A implementação do IBS e da CBS também interfere em documentos fiscais, sistemas, contratos e relações entre empresas. Em 2026, os negócios precisam conviver com um período de transição que exige preparação para um modelo que continuará sendo alterado nos anos seguintes.

Segundo o Doutor Gilmar Stelo, isso pode afetar escolhas aparentemente comerciais. A seleção de fornecedores, por exemplo, passa a exigir atenção não apenas ao preço apresentado, mas também à forma como cada operação poderá produzir créditos e impactos tributários. Contratos de longo prazo também merecem análise, especialmente quando foram estruturados sob uma lógica tributária que será progressivamente modificada.
O avanço da inteligência artificial também cria decisões de longo prazo?
Outra frente que pode alterar os negócios é o avanço da inteligência artificial. O Judiciário brasileiro vem estabelecendo estruturas de governança e segurança para o uso dessas ferramentas, o que indica que a tecnologia deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a envolver responsabilidades jurídicas. Esse movimento também exige que empresas avaliem com mais atenção os limites de utilização dessas soluções, especialmente quando elas participam de processos que envolvem informações sensíveis ou decisões relevantes.
Empresas que utilizam IA para analisar documentos, produzir conteúdos, organizar informações ou apoiar decisões precisam considerar questões como segurança, controle, rastreabilidade e supervisão humana. A escolha de uma ferramenta hoje pode determinar como dados e processos serão tratados no futuro. Por isso, a adoção dessas tecnologias precisa estar acompanhada de critérios internos que definam quem pode utilizá-las, quais informações podem ser inseridas e como os resultados devem ser verificados antes de serem aplicados.
Gilmar Stelo, referência em atuação estratégica no Direito, observa que esse movimento amplia o papel do jurídico dentro das empresas. A adoção de tecnologia não deve ser avaliada apenas pela capacidade de reduzir tempo ou custos. Também precisa considerar quais responsabilidades surgem quando uma ferramenta passa a participar de atividades relevantes. A análise jurídica passa, assim, a contribuir para a definição de limites, procedimentos e mecanismos de controle capazes de reduzir riscos sem impedir que a empresa aproveite os ganhos proporcionados pela tecnologia.