De acordo com Tiago Schietti, o mercado funerário passa por transformações silenciosas, porém profundas, impulsionadas pelas mudanças de comportamento das gerações mais jovens. Embora a morte continue sendo um tema sensível, a forma como ela é compreendida, discutida e vivenciada está se modificando. Jovens adultos tendem a questionar tradições, buscar mais informação e exigir serviços alinhados a seus valores pessoais, sociais e culturais.
Hoje, cresce a necessidade de compreender novas expectativas relacionadas à comunicação, à experiência do serviço e ao significado da despedida. Adaptar-se a esse novo perfil de consumidor deixa de ser uma opção e passa a ser uma condição para a sustentabilidade do setor. Leia para saber mais sobre o tema!
Como essas mudanças afetam a relação com os serviços funerários?
A relação das gerações mais jovens com os serviços funerários é marcada por maior senso crítico e expectativa de transparência, conforme aponta Tiago Schietti. Informações claras sobre custos, contratos e opções disponíveis são cada vez mais exigidas. Modelos pouco flexíveis ou comunicações excessivamente técnicas tendem a gerar desconfiança.
Outro ponto relevante é a forma de atendimento. Jovens consumidores valorizam empatia, linguagem acessível e canais de comunicação mais ágeis. A experiência do serviço passa a ser avaliada não apenas pelo cumprimento técnico, mas pela qualidade do acolhimento e pelo respeito às escolhas individuais.
Essa mudança exige do setor funerário uma postura menos hierárquica e mais orientada ao diálogo, sem perder a seriedade e o respeito que o momento exige.

A tecnologia aproxima ou distancia o setor funerário?
Segundo Tiago Schietti, a presença da tecnologia na vida das gerações mais jovens influencia diretamente suas expectativas em relação ao mercado funerário. Ferramentas digitais, atendimento online e acesso rápido à informação já fazem parte da rotina dessas pessoas e passam a ser esperadas também em momentos delicados.
No entanto, a tecnologia no setor funerário precisa ser utilizada com cuidado. O objetivo não é substituir o contato humano, mas complementá-lo. Plataformas digitais podem facilitar processos, esclarecer dúvidas e oferecer suporte inicial, desde que não comprometam a sensibilidade do atendimento.
Quando bem aplicada, a tecnologia contribui para tornar o serviço mais acessível, transparente e organizado, sem perder o caráter humano essencial ao setor.
Novas demandas das gerações mais jovens em destaque
Algumas demandas se tornam cada vez mais evidentes no comportamento das gerações mais jovens em relação ao mercado funerário:
- Maior transparência na comunicação e nos contratos;
- Possibilidade de personalização das cerimônias;
- Linguagem menos formal e mais acessível;
- Uso responsável de canais digitais no atendimento;
- Valorização do acolhimento emocional;
- Interesse por planejamento funerário em vida;
- Preocupação com impactos sociais e ambientais.
Esses pontos indicam uma mudança de mentalidade que exige adaptação estrutural e cultural por parte das empresas funerárias.
O desafio da personalização sem perder a essência
Na análise de Tiago Schietti, atender às novas demandas não significa abandonar completamente as tradições. O desafio do setor funerário está em equilibrar personalização e respeito aos rituais, oferecendo opções sem impor modelos únicos.
As gerações mais jovens tendem a rejeitar soluções padronizadas quando elas não dialogam com seus valores. Ao mesmo tempo, esperam orientação profissional para tomar decisões em momentos emocionalmente difíceis. Isso reforça o papel consultivo das empresas funerárias, que passam a atuar como mediadoras entre tradição, inovação e sensibilidade humana.
Impactos dessas mudanças na estratégia do setor funerário
A adaptação às novas gerações exige revisão de estratégias internas, desde treinamento de equipes até posicionamento de marca. Empresas que insistem em modelos rígidos e comunicação distante tendem a perder relevância ao longo do tempo.
Por outro lado, aquelas que investem em capacitação, escuta ativa e inovação responsável conseguem construir relações de confiança mais duradouras. O foco deixa de ser apenas a prestação de um serviço emergencial e passa a incluir relacionamento, reputação e presença social.
Essas transformações não acontecem de forma imediata, mas já indicam um novo caminho para o mercado funerário, como elucida Tiago Schietti.
Um setor em transformação diante de uma nova sociedade
As novas demandas das gerações mais jovens refletem uma sociedade em transformação, mais consciente, questionadora e plural. O mercado funerário, como parte desse contexto social, precisa acompanhar essas mudanças sem perder seu compromisso com a dignidade, o respeito e o cuidado.
Por fim, ao compreender esse novo perfil de consumidor, o setor amplia sua capacidade de oferecer serviços mais humanos, relevantes e alinhados com os valores contemporâneos. Adaptar-se às novas gerações não é romper com o passado, mas evoluir para continuar cumprindo um papel social essencial.
Autor: Yves Ivanovna